Tunísia sempre me remeteu a um país que lembrasse a região da Índia, ou coisa parecida. Mas não… A Tunísia é uma país africano, pra minha ignorância. Norte africano, pra ser mais preciso. Grande coisa né? Afinal, quais são as chances de eu pisar na Tunísia um dia? Nenhuma. A grande probabilidade, neste caso, é que eles tambem se lixem para o que estou escrevendo agora. Se eles são 99% muçulmanos, devem estar cagando e andando aos nossos mais de 90% da população que acreditam em jesuis, aos nossos casos de dengue, ao nosso desempenho na próxima copa e por aí vai… _Invejável, não? Sou mais tunisiano que imaginava. Ou berbere. Ou tuaregue, quem sabe? Pensei nisso voltando do Mac. Sim, eu ganho do meu emprego alguns tíquetes que me permitem desfrutar de graça desse selo americano. E como vem de graça, eu uso. Uso e volto, sentindo um tijolo a ser digerido pelo meu estômago já fraco por tanto café, pela garganta fedida pela infecção, pela dor de cabeça que não sara. Olho na cara do cara que talvez eu conheça, mas que no fundo acho que ele só me achou esquisito. Já que é caminho, por que não ver o saldo da sua conta com aquele cheque que, com certeza, não caiu ainda? Por que, sem dúvida, você quer ver gente. Não se sentir só, mesmo que com o logo do Bradesco como companhia. E esse negócio funciona! Contas no vermelho são como energético para as idéias. Em especial as mais cretinas, as mais inviáveis… como algo que sare este mal-estar dos diabos. Um afago emocionante nas idéias, como um aleijado que vence todos os medos e receios para demonstrar carinho com o cotoco que lhe resta. Às vezes acho que deveria apenas escrever com recortes de uma revista, ou pincelar com a boca algum desenho imbecil pra ser mais sincero. Ou, ao menos, me fazer entender o quanto estou sendo. Mas quais são as chances de eu conseguir pisar neste terreno? Como a Tunísia, pode ser em outro lugar qualquer, menos onde imagino. E eu ando. E eu tropeço. Puta merda de calçada. Puta merda de lanche que não derrete. Puta merda! Abro o cadeado. Entro. Escovo os dentes como se fosse a última vez, e volto pra cama. Deitado as coisas se acalmam, ganham horizonte, se tornam mais palatáveis. Penso nas coisas que colocaria em minha mala se, quando o sol nascesse, eu partisse. E com esse mala cheia, em minha mente, eu durmo e parto. No geral, minha mente funciona assim, num labirinto sem saida. Um eterno emaranhado de coisas que se ligam a outras e não chegam num ponto final. Da Tunísia até meu colchão.